sábado, 15 de novembro de 2008

MAIS UM DIA PARA SE VIVER O PARADOXO!

ste é mais um dia na Terra. Li os jornais da manhã. O mundo continua o mesmo: em franco processo de auto-destruição. O ecossistema está dando claros sinais de colapso. Você sabia que uma das maiores bênçãos de Deus na natureza é o gelo? A água é o único liquido que em estado sólido se torna mais leva do quem em seu estado original: líquido. O gelo é mais leve que a água. É por isso que os mares não ficam pedrados, impossibilitando a vida. O problema é que até isto está começando a mudar com o “efeito estufa”. A natureza geme. Nós também gememos, aguardando a adoção de filhos. Nós que somos as primícias do Espírito Santo, dizemos: Aba, Pai. E também: Maranata! Enquanto isto, devemos conciliar Mateus 24 e 25. Em Mateus 24 a gente vê a História em seu processo suicida. Em Mateus 25 a gente vê que no Fim da História o pior juízo divino vem contra a omissão de quem viu, soube, e nada fez. “Quando, Senhor?”—é a pergunta dos omissos. “Sempre que deixastes de fazer...”—é a resposta do Senhor. Estamos aqui para constatar e para lutar contra. De um lado queremos que o Senhor volte. De outro, somos estimulados pelo Senhor a não ficarmos de braços cruzados aguardando o Fim. Assim, mais uma vez, a fé faz sua síntese no Paradoxo. Paradoxo é o nome daquilo que na Palavra significa Equilíbrio. Nosso equilíbrio está na experiência do paradoxo.

O MILAGRE DE CADA BOM ENCONTRO

Encontros são milagres ou são macumbas — milagres quando os sentimos bons, e macumbas quando os sentimos maus.



Quase ninguém pensa no milagre do encontro. Entretanto, num mundo imenso para nós, cada vez maior nas quantidades, cada vez menor nos espaços, em meio a tantos bilhões de variáveis, nas quais átimos de volição ou impulso podem mudar montanhas ou fazê-las sumirem na cratera do esquecimento ou da não-percepção.



Um encontro errado, uma pessoa errada, uma iniciação errada, um amigo errado, um dia mal, uma decisão equivocada, uma conseqüência inapelável, uma existência convertida em outra, um outro sentir, um outro ver-se a si mesmo, um outro ver-se no olhar dos outros, uma outra definição de si mesmo perante o mundo, uma outra postura, talvez agressiva, talvez passiva; enfim... — um outro produto humano como variável de uma matriz original de infindas alternativas.



A liberdade do homem reside na sua ignorância das infindas alternativas.



O homem é livre de saber, pois, saber lhe seria a angustia insuportável tomando-o por todos os lados.



Quando eu era menino deseja conhecer um ladrão. Aí pelos meus sete anos apareceu um ladrão roubando no escritório de meu pai; à época advogado.



Papai havia me dito que se pegassem o larapio eu iria conhecer um ladrão.



Pegaram-no. Nós fomos. Era um domingo à tarde. À porta do escritório meu pai pediu que eu esperasse no carro. Ele queria sondar o terreno. Minutos depois voltou lívido. Disse-me que o ladrão ficaria para outro dia...



Não aceitei. Ele sempre mantinha a palavra.



Então ele me disse que não me levaria até lá, mas que me diria quem era; tão somente eu guardasse segredo para sempre. Prometi. Ele sabia que eu guardava. Ele me treinara e educara para isso também.



— Meu filho, o ladrão é nosso amigo. É filho de minha comadre. É seu amigo de bola e de estádio aos domingos. É o fulano... Mas para que ele não fique envergonhado de saber que você sabe, não iremos lá; e você nunca o deixará saber que sabe; e vai tratá-lo como se não soubesse. Não é ladrão; apenas roubou.



Mas e se a atitude de papai fosse outra; e se divulgasse; e se chamasse a polícia; e se me deixasse ver; e se... — o que teria sido do moço; ou de mim; ou de todos nós? Uma resvalada; e tudo muda para sempre.



Uma pessoa toma uma decisão de visitar amigos, gosta do lugar, muda para lá, e encontra alguém que muda a sua vida. Mas o que a tirou de casa foi uma delicadeza para com um amigo que insistia e pedia uma visita.



Uma disputa entre amigos em razão de uma banalidade faz um rapaz e uma moça se encontrarem, e, mesmo sem amor para tal, casarem-se. E suas vidas nunca mais poderem ser outra coisa.



Um encontro. Um ato impensado. Um filho. E um destino radicalmente alterado.



Uma decisão: “Desço ou não do ônibus aqui nesta parada?” — e a vida da pessoa pode mudar para sempre; pois, nesta hipótese, a mulher que desce do ônibus tropeça na descida, e cai nos braços de um homem que a ampara daí pra sempre.



Assim, um dia, saberemos por quantos atos milagrosos fomos feitos e fomos salvos.



Entretanto, é bom se veja e que se busque entender cada instante-milagre que nos acomete.



Um segundo a mais... — e ele, ela, teriam virado a esquina para além do alcance de nosso olhar...



Tudo é co-incidência: incide junto.



Quase tudo em nossa vida é feito de “acasos” carregados de “desígnios”; e se desígnios não tivessem, mistério, todavia, não lhes faltaria; pois é como é possível que um segundo antes ou depois nos roubassem a oportunidade daquilo que passou a ser o resto-todo de nossas existências?



Assim, encontro é milagre, até quando é um mijagre.



Pense nisso!

TESOUROS EM VASO DE BARRO

Deus decidiu guardar Seus tesouros em recipientes muito fracos. Por isso temos nosso tesouro em vasos de barro — que somos nós mesmos —, para que a excelência do poder seja de Deus, e nunca nossa.

O poder de Deus sempre se aperfeiçoa na nossa fraqueza, pois, do contrário, certamente ficaríamos arrogantes.

Por essa razão é que em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos.

Assim caminhamos, sempre trazendo no nosso corpo o morrer, para que também a vida de Jesus se manifeste em nós.

Isso porque nós, que vivemos pela fé em Cristo, estamos sempre entregues à morte por amor a Jesus e para crescermos em Sua Graça.

Ora, isso também acontece a fim de que a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal, que só pode experimentar vida tão mais excelente se nossa animalidade mais básica for sempre relativizada.

E se desejamos muito ser instrumentos de Deus — também pura obra da Graça —, ainda mais teremos que conhecer o caminho da fraqueza, a fim de que discirnamos nossos próprios corações.

Por essa razão é que aquele que é visto como alguém que edifica outros, mais profundamente conhecerá a operação da morte para que outros possam experimentar a vida.

As dores de uns são as sabedorias de Graça que trarão vida a outros.

Ora, o espírito de nossa fé é simples, e manifesta-se conforme está escrito: "Eu cri, por isso falei!"

Também nós cremos, por isso também falamos!

Mas fazemos isto sabendo que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará com Ele — sim, a todos nós!

Desse modo, sendo já herdeiros de todas as coisas, mesmo que existindo em fraqueza, devemos saber que todas as coisas existem por amor a nós.

Somente pessoas conscientes de sua própria fraqueza podem experimentar esse privilégio como gratidão, e nunca como arrogância. E tal consciência não se jacta como se isso fosse uma conquista individual e pessoal. Essa Graça está sobre muitos.

Isto para que a Graça, multiplicada por meio da vida e dons de muitos, faça abundar muita gratidão entre os homens para a Glória de Deus.

É por essa razão que não desfalecemos nunca. Mesmo quando vemos o nosso “homem exterior” se consumindo, pois sabemos que existe uma contrapartida. Afinal, na mesma proporção, o nosso “homem interior” se renova de dia em dia.

Dito isso, quero apenas recordar que não somos filhos da animalidade. Temos um tesouro eterno habitando em nossa fraqueza.

Ora, tal consciência gera muita paz. Afinal, sabemos que a nossa tribulação na terra é leve e momentânea, mas produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória.

Dessa forma, devemos andar pela fé. Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem.

As coisas que pertencem aos sentidos — as que se vêem — são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas.

Quem tem essa consciência em fé já não se queixa. Tampouco julga que o vaso seja importante. Afinal, o vaso é de barro, tirado do pó — e ao pó voltará! Mas o tesouro, esse sim, é eterno. E já nos habita como santa contradição da Graça, embora seus portadores sejam sempre expostos à fraqueza.

Essa é a fé que permite celebrar a Graça e a Vida com saúde. E nunca se gloriar do que possui, pois, de fato, não possui; apenas carrega!

O DISCÍPULO SURTADO

O pior discípulo é aquele que pensa que já sabe. Ele aprendeu algumas coisas. Já viu outras. Já até foi “usado”. Então, pensa que sabe. Então, repreende o mestre, diz que ele está pessimista, ou pergunta se é para matar ou deixar viver — conforme os muitos exemplos vindos dos evangelhos.



Pensar que se sabe é um problema, pois, pára o crescimento...



Assim, é fácil saber os conteúdos, as idéias, os raciocínios, as palavras, o conjunto de pensamentos, o sentido, o conceito.



Mas nada disso é ainda nada até que o caminho os chame de idéias, de pensamentos, e de conceitos, à dimensão de respostas na vida.



Pedro pensou que sabia e que podia, até que Satanás o peneirou como se faz ao trigo.



João já ouvira e até repetira muito sobre amor ao próximo, mas depois que ele quis descer fogo do céu sobre os samaritanos, foi que pelo não-amor ele viu o quão longe estava de ser um discípulo do amor de Jesus.



E o caminho o levou dos samaritanos quase fritos às epístolas do final do Novo Testamento, quando de filho do trovão ele já há muito se havia convertido em filho do amor.



No entanto, o episódio acima mencionado nos mostra como um discípulo pode surtar de repente.



João havia acabado de descer do Monte da Transfiguração. Fora exposto ao Sublime sem medida. E, logo adiante, surta.



E por que surta?



Ora, provavelmente porque a Transfiguração lhe foi uma Desfiguração no coração!



Eles viram..., mas só entenderam bem depois. No início foi um show da Graça. Só bem depois é que Pedro diria [em sua epístola] que no Monte Santo o importante era apenas: “Dêem ouvidos ao meu Filho amado!”. E a ênfase dele não foi na Transfiguração como Imagem, mas sim como Voz. “A voz que ouvimos...” — diz ele já velho.



Por isto é que Paulo diz que todos sejam experimentados antes de qualquer coisa, pois, mesmo onde se pensava que havia um discípulo, pode-se ter a surpresa de encontrá-lo desejoso de matar em seu nome [no caso de você ser o irmão discipulador], apenas por capricho e surto de grandeza.



A Transfiguração Desfigura o coração quando o discípulo ama mais o que vê do que o que ouve. Quem se impressiona com o que vê, em geral não dá ouvidos ao que ouve.



Por isso a Palavra não é a Transfiguração, mas sim a Revelação da face de Cristo de glória em glória no homem interior. Do contrário, qualquer um surta.



A glória de Deus surtou você algum dia?



Ora, quem não for tão diferente de João dirá que sim. E que o resultado da transfiguração apenas vista e não ouvida, terminou por torná-lo prepotente e com ímpetos de poder e domínio.



Mas, Graças ao Pai, que em Jesus sempre nos indaga:



“Ou não sabeis que o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas sim para salvá-las?”



“Vós não sabeis de que espírito sois!”



Você sabe?



Creia que sabe, mas não se descuide. O surto pode ser súbito!





Pense nisso!